No fuckin' lovers
In this town
of dead doves.
Rise up the cigarrete
don't claim so much effect
Wake the morning
shave your balls
Embrace the boring
fact that we'll all fall
You walt the streets
you talk to the sheetless
homeless
the shit of the shitty
society sheet
That covers up
the lovers
the doves
the fuckers
the dead
the living
All the same shit
we cover out in life,
our lives, sucks.
So knock up the feet
and lay back down
Wake up again
to feel the same pain
Look at the mirror
See how lame
you became.
Shave your beard
comb your hair
put your suit
your sweater up
Open the door.
breath in
breath out.
for no reason for.
Gain your way out
for work
a street full of blood
the invisible dead bodies
your work sucks
your life sucks.
We're all alone in our rooms
With the ghosts of
the field of the
dead cities in
shards
inside our fucking
hearts.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
sábado, 22 de novembro de 2014
Cimento, chupar, fino zelo.
Eu sou o escravo
e sou o mestre
eu sou o frasco
e sou a febre
sou cimento que concreta
meus sorrisos em tuas veias
garoa fina que decreta
meu zelo viajante em tuas teias
Eu nunca clamei ser santo
Urra, solta teu pranto!
Tira esse sapato
Esparrama as pernas, enquanto
Anseio por perder
Meus dedos, em teu fino cabelo
Oleoso, fino e majestoso.
E enquanto ficar
por favor
me deixe chupar
todo mal com fervor
Te chupar por fervor
Te sugar com amor
todo aquele que tenho
e que venho aqui lhe dizer
do fundo
do meu ser.
e sou o mestre
eu sou o frasco
e sou a febre
sou cimento que concreta
meus sorrisos em tuas veias
garoa fina que decreta
meu zelo viajante em tuas teias
Eu nunca clamei ser santo
Urra, solta teu pranto!
Tira esse sapato
Esparrama as pernas, enquanto
Anseio por perder
Meus dedos, em teu fino cabelo
Oleoso, fino e majestoso.
E enquanto ficar
por favor
me deixe chupar
todo mal com fervor
Te chupar por fervor
Te sugar com amor
todo aquele que tenho
e que venho aqui lhe dizer
do fundo
do meu ser.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Venice, Bitch.
No hotel onde eu trabalhava, que era uma Veneza ridícula,
inundada de gente inútil, onde eu simplesmente não gostava de estar perto. Só
as mulheres as vezes prestavam, aquelas coroas sedentas de paus e eu tinha um
que funcionava, funcionava muito bem por sinal.
O dono era uma comédia, um velho morfético, mesquinho, gritalhão e burro pra caralho. A mulher dele, uma coroa enxuta e siliconada, que tratava quaisquer um como rei e quando precisava, jogava-os no inferno, a vadia controlava o financeiro e o hotel inteiro, pois tinha o controle do velho. E assim, como marionetes, ela humilhava ali, elogiava aqui, xingava acolá, fazia toda essa porra impune, por trás de uma face angelical e lindos olhos verdes. Aquela puta tinha olhos bonitos, profundos como toda a mentira que aquele hotel escorria entre as infiltrações das paredes. Ah, comi aquela puta também.
Em mais uma tarde ordinária de trabalho, eu era o cartão de visitas do hotel, fumando um cigarro na frente do próprio, com um copo descartável de café e um desejo de suicídio, por quão patético eu deveria estar, com toda aquela roupa social preta e branca, e aquela gravata. Um panda do proletariado, uma espécie em extinção, que ainda luta pra sobreviver contra essa sociedade de merda. Mas ali eu estava, fazendo parte daquele organismo vivo, morrendo e apodrecendo junto com ele.
Mas espera aí, eu podia fazer algo! Eu era uma célula quase importante daquela porra. Eu conhecia cada veia, o estomago e o rim do hotel, e o coração principalmente.
Um dia, no turno da noite, me esgueirei entre os corredores, desliguei o gerador e ninguém estranhou, afinal as quedas de energia eram normais naquela espelunca. Subi no padrão geral, e saí cortando todos os fios com uma faca, não fazia ideia do que estava fazendo, mas eu estava, nada dava certo. Peguei meu isqueiro e comecei a simplesmente queimar tudo que se podia queimar ali. Saí correndo e passei na recepção pra avisar meu parceiro de turno, que aquela porra ia se desfazer. Enquanto ele corria pelos corredores escuros, eu voltei pro gerador e liguei a fase de novo. Ouviram-se vários estouros e viram-se muitos clarões, eu acendi meu cigarro, enquanto sentava no ponto de ônibus do outro lado da rua. Demorei 20 minutos vendo o velho e a puta velha agonizando e me gritando do outro lado da rua para chamar os bombeiros. Eu apenas mostrava o dedo médio enquanto ele era comido pelas chamas. Agora a Veneza era inundada apenas de línguas laranjadas, flamejantes e de fumaça.
Welcome to Venice, Bitch.
Acordei com o despertador berrando, estava atrasado de novo pra porra do trabalho.
2 horas se passam.
-Venice Hotel, Michael, Boa tarde, em que posso ajudar? - E suspirei.
O dono era uma comédia, um velho morfético, mesquinho, gritalhão e burro pra caralho. A mulher dele, uma coroa enxuta e siliconada, que tratava quaisquer um como rei e quando precisava, jogava-os no inferno, a vadia controlava o financeiro e o hotel inteiro, pois tinha o controle do velho. E assim, como marionetes, ela humilhava ali, elogiava aqui, xingava acolá, fazia toda essa porra impune, por trás de uma face angelical e lindos olhos verdes. Aquela puta tinha olhos bonitos, profundos como toda a mentira que aquele hotel escorria entre as infiltrações das paredes. Ah, comi aquela puta também.
Em mais uma tarde ordinária de trabalho, eu era o cartão de visitas do hotel, fumando um cigarro na frente do próprio, com um copo descartável de café e um desejo de suicídio, por quão patético eu deveria estar, com toda aquela roupa social preta e branca, e aquela gravata. Um panda do proletariado, uma espécie em extinção, que ainda luta pra sobreviver contra essa sociedade de merda. Mas ali eu estava, fazendo parte daquele organismo vivo, morrendo e apodrecendo junto com ele.
Mas espera aí, eu podia fazer algo! Eu era uma célula quase importante daquela porra. Eu conhecia cada veia, o estomago e o rim do hotel, e o coração principalmente.
Um dia, no turno da noite, me esgueirei entre os corredores, desliguei o gerador e ninguém estranhou, afinal as quedas de energia eram normais naquela espelunca. Subi no padrão geral, e saí cortando todos os fios com uma faca, não fazia ideia do que estava fazendo, mas eu estava, nada dava certo. Peguei meu isqueiro e comecei a simplesmente queimar tudo que se podia queimar ali. Saí correndo e passei na recepção pra avisar meu parceiro de turno, que aquela porra ia se desfazer. Enquanto ele corria pelos corredores escuros, eu voltei pro gerador e liguei a fase de novo. Ouviram-se vários estouros e viram-se muitos clarões, eu acendi meu cigarro, enquanto sentava no ponto de ônibus do outro lado da rua. Demorei 20 minutos vendo o velho e a puta velha agonizando e me gritando do outro lado da rua para chamar os bombeiros. Eu apenas mostrava o dedo médio enquanto ele era comido pelas chamas. Agora a Veneza era inundada apenas de línguas laranjadas, flamejantes e de fumaça.
Welcome to Venice, Bitch.
Acordei com o despertador berrando, estava atrasado de novo pra porra do trabalho.
2 horas se passam.
-Venice Hotel, Michael, Boa tarde, em que posso ajudar? - E suspirei.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Val.
Hoje senti saudade de toda mulher
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.
Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.
E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.
Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.
E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Coliseu.
O lugar era extremamente quente. As chamas cegavam e faziam os olhos lacrimejarem. Ao longe se via todas as cordilheiras montanhosas e vulcânicas infernais. E satã era maior que todas, que tudo, que todos. Dentro de uma arena romana em ruínas, eu empunhava uma estaca de empalação cromada, e estava vestido apenas com um jeans. E suava muito, feito um porco. No outro lado da arena, se encontrava uma moça, fumando, munida de um machado negro e lindos olhos verdes. Ela vestia uma calcinha vermelha e uma camiseta do black sabbath, cortada ao meio.
Enquanto eu tentava analisar o lugar e ler o que estava acontecendo, olhando assustado as pessoas imoladas me assistindo no coliseu do inferno, escuto um grito absurdamente grave e macabro.
-FIGHT!
A mulher veio correndo em minha direção, sedenta por sangue, gritando, com um piercing no septo do nariz, me lembrando muito um touro. Me senti na Espanha, dentro de uma tourada mortal de definitiva.
Quando ela se aproximou, buscando me acertar no ombro, bloqueei com o empalador e chutei-a na barriga, afasatando assim ela de mim. Eu era incapaz de fazer algo mais grave contra ela. Mas os ataques dela eram incessantes e insáciaveis e eu já me cansava daquilo tudo. Num momento de baixa guarda dela, lhe enfiei o empalador na coxa. Foi estranhamente delicioso, agora eu te entendia Vlad. Me lembrou muito o sexo aquela sensação.
-Só isso, homem? –Ela disse.
“Que merda”, eu pensei. Quando voltei à mim, já estava sem o antebraço esquerdo. Não doía, apenas sangrava. Agora a puta acordara de verdade, seus olhos eram vivazes e seus movimentos bem mais rápidos. Não durei muito tempo.
Agora eu me encontrava no chão, sem todos os membros, olhando as já caveiras imoladas gargalhando ao ritmo de satã.
A desgraçada se põe em cima de mim, me olha bem nos olhos, e com o tom mais exacerbado de crueldade diz:
-E agora garotão?
-Me arruma um cigarro desses seus? –Eu disse com certo sarcasmo.
Satã e a platéia explodiram de rir.
Ela me dá o cigarro, e enquanto eu fumo estranhamente, desmembrado, ouço ela dizer:
-Sabe que ainda falta um membro, não é?
Olho assustado pro meu pau.
-Não vou cortar ele não, vou fazer uma coisa beeeeem melhor.
A vagabunda tirou o que sobrava da minha calça, e começou a chupar, carinhosamente. Endureci e ela sentou. Gozei. Ela se banha no meu sangue com porra. E se arma pra me degolar. Cheguei a sentir o fio de lâmina encostar no meu pomo de adão.
Acordei procurando a respiração e de olhos arregalados. Val dormia tranquilamente do meu lado. Levantei, peguei o cigarro e o vinho, liguei o som bem baixinho e sentei ao pé da cama. Val acordou e me perguntou o que havia acontecido.
-Sonho ruim. –respondi enquanto ela dava uma golada no vinho –Vem cá, vamos trepar.
Depois de gozar eu não conseguia me decidir o que era pior: ser uma marionete para um jogo sádico de satã, ou ser capacho de uma mulher. Acho que é a mesma coisa, você sempre se fode no final.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Madalena.
Quero casar
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz
Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu
Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.
Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.
Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar
descansar em paz.
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz
Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu
Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.
Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.
Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar
descansar em paz.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Indústria.
Tinha dez anos, quando me fazia esse questionamento.
Quando tinha vinte, me questionava como a porra da terra cruel tinha surgido, e para onde iríamos, depois que fôssemos engolidos e devorados por essa merda. Eu fumava feito uma indústria em ritmo total de produção. Eu era uma indústria. Produzia poemas, cartas, contos e esse tipo de merda, enquanto escutava o zeppelin, pink floyd e essas merdas boas aí. E fumava demais. Sempre achei que morreria de enfizema pulmonar ou algo do tipo, aos cinquenta, ou sessenta. Sempre achei que um câncer me definharia até a morte lenta e já avisada pelos meus familiares fingindo estarem preocupados.
Aos trinta, bem, não cheguei aos trinta.
Morri com um café envenenado, por uma namorada neurótica e que tinha sérios problemas mentais. Uma delas. O cigarro ainda queimava, um incêndio se iniciara no tapete, e eu, agonizando estático, as reações me falharam. O ar já era. A única coisa que ainda funcionava na indústria eram as câmeras, meus olhos ardiam, minhas visão ficava turva, o laranja específico das chamas invadia meu cérebro que já não pensava em absolutamente nada, eu morria, mas não morria. Era mais louco que qualquer droga já experimentada, era uma experiência rica, detalhada e inconscientemente consciente. E dela não se tinha volta. Fiz o caminho aos vinte e nove.
A terra me engoliu, os vermes me devoraram. Morri sem ter a porra das respostas. Só servi para o entretenimento das pessoas, que gostavam de desgraça. A humanidade em geral. Apreciamos a desgraça porque somos uma. E das feias.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Vênus.
Entrei no bar e pendurei meu casaco no balcão.
-Me vê um whisky aí.
As mulheres me olhavam, não sei se por interesse, ou por desprezo. Quase sempre ser um escritor solitário dá certo com elas. Acho que é instinto materno de quer cuidar de alguém/algo.
O dia era frio, o que não era normal na cidade, afinal era um calor infernal todo santo dia. Mas sempre tinha a semana onde a população nativa pagava seus pecados, e como fazia frio!
Meu whisky chegou, do jeito que eu queria, sem gelo, o copo e a garrafa, um do lado do outro, alinhados. O garçom sabia, sempre bebia ali. Olhei em volta do bar, e não vi nada mais que o esperado: cadeiras e mesas amarelas com marcas de cervejas estampadas, algumas eram vermelhas com outras marcas, fazendo assim a sintonia do “não tô nem aí pra sua marca, só quero povoar meu bar”, do proprietário, o que não deixava de estar certo quanto a isso, ninguém se importa com a cadeira, ou a mesa. Os velhos jogadores ali ganhando uma boa grana na mesa de sinuca, dos patos, como bom alvo que eram. As coroas vestidas como se tivessem em um parque aquático querendo mergulhar em alguma piscina de porra dos velhos que ganharam o dinheiro ali. O cheiro de urina emanava dos banheiros, que se mixava com o de cerveja impregnado em cada um ali. Eu me sentia em casa.
Dei mais uma olhadela em volta do bar e não acreditei no que vi. Não. Não era possível. Uma jovem, que parecia Londrina, ruiva, magra e de cachecol. Ruiva. RUIVA. Ela sentou no balcão, na outra ponta.
-Uma garrafa de vinho, quente. Por favor.
Ali, na minha vista, com o meu garçom, meu bar. As pessoas não davam a mínima.
Me aproximei.
-Esse vinho daqui não e muito bom não, moça.
-Desculpa moço - ela disse, ironicamente - eu bebo sozinha.
-Mas você é muito bonita pra estar num lugar como esse.
-Quem liga? Você viu alguém ligando? Eu não...
-Eu ligo. – O álcool me atacou – lá em casa você se encaixaria melhor.
-Esperava mais de você, amigo. Com toda essa pose de solitário independente, achei que sairia algo melhor que essa cantadinha. Essa aí eu esperava de qualquer velho aqui. Agora vai lá beber e me deixa beber aqui.
E me afastei.
-Eu tava brincando. – Ela gritou – volta aqui, você também é muito bonito pra estar aqui. Sua casa é longe daqui?
-Um pouco, uns 30 minutos de ônibus.
-Ônibus? – ela riu – vamos andando, o clima tá muito bom pra ser desperdiçado.
Fui só porque ela era ruiva. Eu era um cuzão, morria de medo de ser assaltado, e eram umas onze da noite. Fui andando com ela, e com o cú na mão.
-Então você fica no bar esperando pra conquistar alguém como eu e levar a moça de ônibus pra sua casa?
-Sempre funcionou, mas em geral são coroas fedidas. Mas você, você é diferente. É como ganhar na mega sena.
-Ah, deve usar isso com todas.
Ela sorriu.
Puta
que
Pariu.
Era o sorriso mais lindo, ou um dos mais lindos, que eu já tinha visto.
-Acredite ou não, no caminho pra casa, eu não costumo dizer nada.
-Mas hoje você disse, nossa, tô lisonjeada.
E ficamos quietos por uns dez minutos. Ela quebrou o silêncio:
-Não vai me abraçar não? Tá frio, babaca, não tá vendo? – E riu de novo.
Abracei-a e senti o perfume doce e vencido, mixado com o cheiro da pele, o que acusava que ela já não tomava banho fazia algum tempo.
Mas aquele cheiro me lembrava minha casa, meu lar. Onde eu queria ficar por muito tempo.
Conversamos mais um pouco, sobre coisas aleatórias, eu já ia ficando desinteressado, quando ela perguntou meu nome.
-Michael, e o seu?
-Se escreve mikael ou Michael?
-Qual a diferença?
-Um te faz um bonitão conquistador, e o outro um dos velhos daquele bar.
-Os dois me definiriam, se quer saber. – E ri. – e o seu, como é?
-Vênus. Se rir apanha.
Eu ri, é lógico. Ela veio me dar um tapa, eu segurei e disse “seus movimentos são lentos demais.”, e a beijei. A boca dela tinha uma sintonia com a minha que eu nem precisei me esforçar pra me encaixar, peguei em sua bunda, apertei com vontade, ela me abraçou mais forte e ficamos nesse amasso por um tempinho. Mas aí vi que era muito tarde e que tinha que andar, antes que achasse algum drogado que roubasse meu celular. Forcei um arroto e ela me afastou.
-Eca. Seu nojento.
Me desculpei, mas por dentro comemorando. “deu certo! Eba!” que babaca eu sou.
Apertei o passo e chegamos em casa.
-Caramba você mora perto no inferno mesmo.
-Aqui é o inferno.
Eu tranquei a porta, e ela tirou o cachecol. Uma gigante cicatriz brotava do seu pescoço, e ela se adiantou à minha pergunta.
-Meu padrasto passou uma faca na minha garganta, enquanto me fazia de refém. Ele levou 3 tiros na cabeça. E eu sobrevivi, essa talvez é a maior tragédia.
Ela tirou as blusas e a calça, ficou só calcinha.
-Quer que eu fique pelada?
-Só se você quiser.
-Seguinte, tô muito cansada pra trepar. Se quiser me ver pelada, fique à vontade. Mas trepar eu não vou não.
-Tudo bem. Deixe-me ver essa boceta aí.
Ela tirou a calcinha.
A boceta dela sorriu pra mim.
-Quer beber mais? – Eu disse.
-Não vai adiantar, cara. Beber mais só vai me deixar mais morta ainda.
-Não vou te comer mais. Só quero alguns minutos de conversa bêbada com você.
-Sua primeira boa jogada da noite. Pega o whisky lá.
Bebemos meia garrafa. Eu estava nu e ela também, embrulhados no edredom. Foi aí que eu percebi os olhos. Os dela. Eram castanhos, ou verdes. Dependia da hora e da minha sobriedade, que oscilava.
Capotamos. Eu ainda tive tempo de fumar um cigarro e observa-la dormindo. Aquilo tinha valido a noite. Deitei de conchinha e capotei. Comecei a sonhar com um boquete, a moça era desconhecida, mas chupava muito bem. Levei um tapa na cara e abri os olhos, e lá estava ela, me chupando, olhando pra mim e rindo de boca cheia. Trepamos, fodemos, transamos e depois fizemos amor. Eu queria passar a vida inteira com aquela mulher. Acabamos as nove da manhã. Ela exausta, eu mais ainda. Ela dormiu e eu repeti o ritual do cigarro. Acordei as quatro. Ela não estava mais lá. Nem minha guitarra. Ela roubou o que eu nem usava. Normal, todos que eu conheço vão embora com o vento. Tomei um banho, me vesti e acendi o cigarro, mais um dia frio. Cheguei no bar e pendurei meu casaco. Quem sabe hoje uma coroa fedida não me faça feliz?
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Camisola.
Eu estava sentado à beira da cama, fumando um cigarro, ela, deitada na outra ponta encostada na cabeceira da cama com a camisola verde, eu odiava verde, mas aquela camisola, ela simplesmente purificava meus pecados, justamente pela facilidade de tira-la que eu havia conquistado.
A menina era simplesmente um anjo, pele branca, olhos verdes/castanhos/azuis/negros (como um de um demônio), e um corpo perfeitamente imperfeito, estrias, celulites e algumas varizes, causadas pelo leve atrofiamento do joelho, devido a uma queda no ballet. Mas até essas pequenas imperfeições deixavam ela perfeita, eu não a conhecia bem, só sabia que estava de camisola e sem calcinha, em minha cama.
-apaga esse cigarro e vem me acender.
-mas esse é meu vício, moça.
-não tá afim de se viciar em outra coisa não? -E abriu as pernas.
Foram as duas horas mais felizes que tive em dois anos.
Fizemos uma vez, gozamos mutuamente. Bebi uma garrafa de vinho.
Fizemos duas vezes, só ela gozou. Três cervejas.
Na metade da terceira, o mundo através de mim girou e tudo que pude ver foi a moça, virando um borrão angelical, e tudo se apagou. Vomitei por três gerações, e apaguei de vez. Fodi tudo.
Acordei pela manhã, ela não estava mais lá, só o cheiro de cigarro, boceta e vômito.
Acendi mais um. Acho que se eu não o comprasse, e o forçasse a estar comigo, nem ele estaria.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Arte.
Esse é o texto mais rápido que escreverei, não parei pra pensar, não o construí. Apenas parei e escrevi. Essa é a minha vida agora, uma arte, talvez não tão boa, imprevisível e andando conforme a corrente.
Tudo muda tão rápido, tudo se faz e desfaz ao mesmo tempo, como numa música do Zeppelin, ou talvez do Metallica. Espero que quando tudo se estabilizar, não seja tão ruim. E que como uma arte, alguém possa apreciar.
Tudo muda tão rápido, tudo se faz e desfaz ao mesmo tempo, como numa música do Zeppelin, ou talvez do Metallica. Espero que quando tudo se estabilizar, não seja tão ruim. E que como uma arte, alguém possa apreciar.
domingo, 23 de fevereiro de 2014
O mediano.
Enquanto eu esperava o moto-taxi, lia um livro legal, na recepção do prédio, eu me identificava com o personagem, que clichê.
Estava frio, muito frio, frio pra caralho mesmo. Nem eu sou tão frio daquele jeito, e olha que eu gosto de frio, digo, de ser frio.
Ele disse “dez horas, mano”, já eram quase meia-noite. Vejam só, passo tanto respeito, que nem o cara que eu vou pagar, chega no horário marcado.
A porra da corrente soltou no meio do caminho, no meio de um monte de drogadinhos, usuários de crack e essa merda toda. Uma coisa me admira nessas pessoas, eles tiveram a coragem de abandonar tudo, abandonaram toda a paz, a família, muitos fizeram sua família ali, os laços divididos em quantas pedras podiam fumar. Mas em contrapartida, todos abandonaram tudo isso, em prol de algo, que os teve por completo. Que inveja, eu queria ter alguém completo, ou até ser possuído por completo, por alguém. Satã seria muito fraco, tanto quanto deus. Gastei cinco cigarros, dois comigo, e três com os noiados: “valeu aê tio”, “pode crê, gurizinho”, “boto fé, ow”. É, até essas pessoas ainda tem o senso de agradecer quando algo lhes é proporcionado.
.....
Mais cedo, no mesmo dia, eu lanchava bolo, com café, suco, pão e requeijão, com gosto de fartura. Fartura não só de mantimentos, de comida, como de afeição. As namoradas as vezes fazem isso.
Assistimos vídeos, ouvimos música, até aprendi a tocar “brilha, brilha estrelinha” no violino, foi uma tarde/noite agradável, muito agradável.
É, talvez ela seja meu crack.
Talvez eu seja um drogado, mas sem o mesmo senso de agradecimento.
Seu mal agradecido do caralho.
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