quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Propósitos de um anjo da morte com sede de vida.



                       
E ele andava sozinho, somente com a sombra seguindo-o: A sua própria sombra, a sombra do passado que, diga-se de passagem, era  do que ele mais tinha medo no momento: A sombra de muitas mortes; de caos; o cheiro da mistura de carvão, enxofre e salitre; do cheiro de suor e sangue seco; das dezenas e, quiçá, centenas de maços de cigarro fumados, cigarros de papel e fumo apenas, não esses cigarros cheios de merda vendidos hoje em qualquer boteco de qualquer lugar, desprezíveis.
Mas pra fazer tudo isso havia um propósito, uma coisa que ele pensava que valia a pena lutar, mas que pena! Por 20 anos ele lutou, matou, trapaceou, torturou, explodiu, estraçalhou, fez barbaridades que, não existem em nenhum diário e nem na mente de ninguém, só em sua própria mente: Genial, doentia.
Era dezembro de 2011, no alto de seus 50 anos ele já se dava conta que por tudo que havia  um esforço tinha que haver um propósito, uma razão para levar adiante e justificar, mesmo, tudo que fazemos. Durante uns 30 anos ele lutou na linha de frente, comandou multidões, e ele sabia que cumpria com perfeição sua  difícil função.
A área que trabalhava o sisudo e sistemático homem, era a mais caótica pois possuía os caras mais sedentos por sangue, que aprenderam a arte da guerra, não pelo seu propósito de um dia ornar na calma de um mundo pacífico, mas para retalhar quem aparecesse pela frente, retalhar inimigos, cidadãos, crianças, mulheres, quem ousasse aparecer em seu caminho que aparentava incerto e cruel, e de fato era.
Fez-se o inverno. Gélido. Arrebatador. Era frio que como um dia achavam que o céu era, mas agora projetava-se de uma estranha maneira, quente: Que nem um inferno, que na verdade era aquilo que aquele campo de batalha era, um longo e denso inferno.
Logo se via que muitos morriam por nada, e a morte jantava e almoçava junto, se fez parte do atípico cotidiano, ela não vestia preto, e sim camurça, ou roupas de civil com rifles e fuzis em ambas as mãos, era um gostinho da saliva do tinhoso antes de descer direto sem escalas.
Mas depois de todo esse tempo, “tudo teve um fim”, e ele ficava relembrando opacas visões de um passado que deveria ser totalmente esquecido, mas ele não conseguia se desviar e nem matar os horrendos fantasmas de seu passado, afinal, não eram fantasmas? E ele foi se perturbando e se martirizando por todas as atrocidades que cometeu.
Via-se que ele estava mesmo mudando, se converteu começou a comparecer  à igreja e expandir o evangelho como se procurasse na lei divina um habeas, corpus, um perdão pela raiva, pelo ódio que sempre queimou e se enfurecia dentro dele, como um vulcão recebendo a dádiva de se expandir com todo o oxigênio de um furacão para poder destruir uma cidade com a velocidade de um sistema linear resolvido pelo sistema de Cramer, que no final o determinante seria igual a zero, isso mesmo: Igual à ZERO.
E ele ficava refletindo:” Será que a paz que sempre foi meu propósito deve ser achada pela guerra, ou ela se encontra dentro de cada um de nós só esperando para ser cultivada e desabrochar? Desabrochar em campos e jardins como as flores, flores que um dia no furor da guerra eu nunca parei pra observar e pisei sem dar a chance de me impressionarem com o espetáculo da vida, vida que um dia eu ceifei sem piedade e como recompensa por ser um dos anjos da morte ganhei um inverno eterno. Mas eu sei que ainda tenho salvação, todos tem.”
E hoje em dia o coronel sabe o valor e se banha toda vez que vê um raio de sol e sempre para e observa a vida se desabrochar, pois ele tem sede de vida. Todos temos que ter.
                        

O Tyler sabe. (?)

Um silenciador para uma arma pode ser feito através de vários buracos, mas se fizer os buracos de forma errada, ela simplesmente explodirá em sua mão;
Pegue uma medida de vapor de ácido nítrico concentrado a 98% e adicione mais três medidas de ácido sulfúrico, faça isso em uma banheira de gelo, depois, adicione glicerina com conta-gotas, uma de cada vez. Assim você obterá nitroglicerina;
Misture a nitro com serragem, algodão e sal de epsom, ou mesmo parafina. E você obterá um belo explosivo plástico;
O velho ditado que diz que você sempre mata aquilo que ama, a recíproca também é verdadeira;
As três maneiras de fazer napalm: Misturar partes de iguais de gasolina e suco de laranja congelado e concentrado, Misturar partes iguais de gasolina e coca diet, e a terceira é dissolver areia granulada para gatos em gasolina até a mistura ficar grossa;
Nós somos uma geraçaõ sem peso na história, fomos criados por mulheres, somos fortes e inteligentes, mas temos constatemente nosso potencial disperdiçado em trabalhos de merda para comprar merdas inúteis para nos dar algum status de coisas que queremos ser, mas não, não iremos ser. Coisas como, rockstars, milionários e estrelas de cinema são apenas para quem é fraco, nós possuimos todo o controle, somos os que servem suas mesas, preparam sua comida, te levam e te buscam em nossos táxis repletos de impostos pra pagar, recolhem o seu lixo, te protegem de todo mal enquanto você dorme no conforto da sua king-size que nem um porco, pronto pro abate. Todo o desejo de destruir algo bonito, como os atores dessas séries babacas da disney, ou mesmo os ursos pandas, ou até aqueles oceanos cristalinos, onde só basta abrir uma daquelas plataformas onde estão concentrados toneladas de petróleo para mancha-los para a enternidade. Pois somos a merda dançante desse mundo, não possuimos uma beleza única, e tudo está desmoronando, inclusive a monalisa, onde eu gostaria sinceramente de limpar minha bunda com ela.
Somos um floco de neve lindo e esbranquiçado pelos anjos? Não.
Somos a merda dançante do mundo, simplesmente matéria em decomposição? Não.
Só existimos. E o que acontecer, aconteceu? Também não. Somos um acidente catastrófico, onde talvez a colisão do big ben possa ter sido um desastre toal para toda a história, ou Deus apenas estava estressado e quis relaxar, criando brinquedos que podiam agir por si próprios, porém, a brincadeira foi longe demais, e ele nos deu a capacidade de destruição.
Se sei disso, é porquê Tyler sabe disso. Isso faz de mim Tyler? Talvez, uma parte, somos todos uma parte de Tyler em potencial, cada um formando a energia, a inteligência e todas as características marcantes desse ser intrigante. Na verdade, Tyler é toda a humanidade, e a terra é o Jack. Tyler é o bombear do coração de Jack.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sinfonia.


Sinfonia.


E se tudo que fizemos em tempo
Se transformasse hoje em beijos doces
Beijos, abraços, cigarros, desejos.

Mas esses são tempos passados, marcados
Fim do mundo, etapa zero
Do poço mais fundo, o mero concreto canta
Grita meu nome, infame, como se quisesse
cada segundo ser você, e sem perceber ele consegue
Se equaliza junto de ti,
Compondo assim, sinfonia de meu fim.

Aqui no fundo, cujo olho não preciso mais abrir
Concluo que aqui, melhor vivo, mesmo no escuro
Onde a indecisão paira, a certeza se esvai
E aqui, ao menos a liberdade, que diga-se de passagem
Nunca tive com você, se aflora, como a aurora no nascer
De um lindo dia sem luz.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Breu.


    E ele se entreolhou com o amor da sua vida. E sua vida se tornou um breu. Naquele palanque sujo de madeira, ele olhava a multidão enquanto rezava pro vazio que ele acreditava, cuja crença não passava de 35kg de dinamite. Mas para explicar o breu daquele momento em que ele estava prestes a enfrentar a dura via crucis da morte de um homem sem lei, que já não fazia mais parte daqueles cartazes, de recompensa per capita, e já com preço em sua cabeça ele jurava sua vingança, bem, mas isso fica para mais tarde.
     Ben era um típico homem pacato de uma cidadezinha pacata dos Estados Unidos no final do século XIX, onde os EUA estavam em expansão para o lado do oceano pacífico, construindo estradas, ferrovias e etc. E Ben era um operário dessas obras, era bem forte, mas só forte mesmo. Burro como só uma porta poderia ser, Ben era explorado por seus chefes e por seus colegas constantemente, fazendo o trabalho como se ele se tornasse três homens, e trabalhasse pelos três. E na hora do almoço, comia o equivalente à meio homem, no máximo. Até que Ben conheceu Olivia, ruiva, dos olhos verdes e branca que nem um palmito. E Ben, com seu corpo robusto de caipira, moreno dos olhos castanhos mais escuros que a própria noite, formava o perfeito contraste de matizes com Olivia. Olivia inteligentíssima, Ben um legítimo asno, Olivia delicada, Ben bruto como um touro, Olivia apática, Ben vivaz, Olivia simpática, Ben sempre muito curto e grosso(talvez porquê quase sempre, nunca tinha nada inteligente a proferir.)
       Eles se completavam, a personalidade de um, foi se acoplando no outro, uma mescla esplendorosa de culturas e aprendizados. Ben aprendera a ler, a escrever e a resolver cálculos básicos, e Olivia já não parecia mais aquele coquetel molotov apagado, estava saudável, acesa, pronta pra explodir, e usar sua capacidade com mais vigor. Dez anos se passaram, agora Ben já se sentia mais confiante, e usou sua força e capacidade intelectual que até os seus 19 anos era oculta, enfim que ele se depara com Olivia e gradativamente, vai se mostrando um prodígio em todos os assuntos, mas principalmente em química, onde descobriu muitas coisas sobre explosivos, e se tornou gerente de sua sessão, na sessão de demolição de obstáculos para as ferrovias, e mandava em todos aqueles que um dia se aproveitaram dele, vivia muito bem, o cargo era bem remunerado e ele enfim havia descoberto sua capacidade.
       E se iniciou uma fase em sua vida onde toda aquela força e inteligência realmente valiam alguma coisa, ele era reconhecido, tinha sua própria sala, ia nas festas da cidade, tomava banho em rios de whisky, fumava os melhores cigarros, enquanto Olivia se dedicava para seu amado, e sim, ela perdera toda aquela fibra mental! Agora, sua saúde era única e exclusivamente para limpar e organizar a casa, cuidar do marido, comprar comida, fazer a comida, ou seja, ela perdera também sua personalidade, sua originalidade.
      Dentro de um intervalo de tempo, relativamente curto ao ínicio das funções de Ben como "oficial de explosivos", exigira dele uma habilidade também com armas de fogo,  para eventuais desavenças caminhos afora, e em pouco tempo Ben se tornou o matador oficial da cidade.
      Ben já havia esquecido sua mulher, seus amigos, sua família, só sabia beber, matar, comer putas e dormir, apesar de nunca conseguir dormir tranquilo devido aos contantes pesadelos com os fantasmas de seu passado e com o medo de sentir uma bala repentinamente atravessar seu pulmão. E com toda essa guerra de empresas, Ben havia se tornado o soldadinho de chumbo mais efetivo, uma máquina de matar, tanto com explosivos, como também com armas. E um dia Ben, com 35kg de explosivos explodiu um armazém de materiais para construção de uma empresa inimiga, que brigava pela autoria da construção de uma das maiores ferrovias do oeste, haviam mais de quarenta homens descansando lá dentro, e todos foram carbonizados sem dó, e sem aviso nenhum. Apesar de toda a rivalidade de empresas, haviam parentes dos operários de sua empresa, irmãos, primos, tios, pais, enfim, uma grande variedade de laços cortados permanentemente, à força. Então sendo assim, seus subordinados, armaram uma festa pra comemorar a exclusividade na construção, chamaram putas de Paris, compraram whisky caro, enfim, uma verdadeira esbórnia colossal, e foi ai que o fim de Ben teve ínicio.
        Já as cinco da manhã do terceiro dia de festa, Ben foi comer uma puta no celeiro da fazenda onde ocorria a festa, e quando chegou lá, completamente embriagado, encontrou a polícia, mas os oficiais mais casca grossa, não esses veadinhos de azul. Era uma tropa especial, que hoje conhecemos como SWAT, apenas três agentes, um com o canivete no pescoço da linda puta, e de repente, um soco acerta em cheio seu maxilar, e ele apaga, breu.
        Ben foi condenado a ser enforcado ao meio-dia, horário que toda cidade podia presenciar aquela queda vergonhosa. Com uma bola de ferro presa na corrente, uns trapos o vestindo, como último desejo, pediu um simples cigarro, que o foi negado com veemência, devido a sua exímia capacidade de lidar com explosivos, ficaram com medo que, de alguma maneira ele explodisse tudo ali com o simples cigarro. E então Ben, naquela situação completamente humilhante, lembrou-se de toda sua vida até ali, fechou os olhos e mais uma vez, breu. Abriu os olhos, e se entreolhou com o amor de sua vida, e então, breu de novo. Não sentia remorso, nem medo, não se preocupou com os mortos, não escondeu nada, réu confesso. Com a corda no pescoço, jurou se vingar e voltar do inferno para pegar cada um dos desgraçados que o colocaram ali, e então, no meio de sua via crucis, se lembrou de quando era apenas um menino forte e burro, e pensou:"Ainda sou um menino forte e burro, só que dessa vez em vez de tomar o caminho da estrada ou da ferrovia, eu tomei o caminho da escada e a corda." E então se fez o breu definitivo.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Abismo da despedida.

Caímos. Foi profundo, diria até doloroso, pois, quanto mais alto maior a queda, nao é assim que dizem?
Eu caí eu um limbo não muito longe da superfície, estava escuro e assustador, confesso. Mas meu caminho derepente foi iluminado por um guia que me dizia exatamente onde pisar, sempre com uma lanterna potente em suas mãos para me dizer onde ir e também o que eu deveria fazer.
Mas o seu caso ja foi um pouco diferente: Você também tentou se agarrar nesse limbo ao qual eu pertencia, porém, te faltou fé infelizmente, e então você caiu, caiu, caiu mais um pouco e se deparou com um lugar, que, se qualquer um olhasse diria ser o inferno. Também era escuro e assustador, só que era quente e existiam vozes sussurrando em seus ouvidos te dizendo pra fazer coisas terríveis, cometer crimes que com nossa lei nunca teria se permitido. Analisando sua situação de um modo enxadrista: Você sempre entrava em xeque, ora pela vida escura e assustadora no "susposto inferno", ora pelos sussurros que tentavam lhe obrigar a ceder aos crimes e tentações dessa terra sem lei, e você sendo pressionada por todos essas ameaças de comerem o seu rei, se rendeu à síndrome de kotov e fez o movimento que arruinaria seu jogo inteiro.
Bem feito pra voçê que nunca se rendeu à minha misantropia, meu jeito estranho de falar, minhas musicas pesadas, Bem feito ! E hoje voce ainda sofre nesse lugar, mas bem pouco pelo fato de já ter se acostumado, enquanto eu ainda ando em meu limbo com meu guia desbravando e descobrindo coisas boas em meio à escuridão.
E tomara que voçê saiba que só há um elevador, que desce pra depois subir, ligando esse "falso inferno" e meu limbo. Graças à Deus que eu tenho medo elevador !

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

No ápice do silêncio


                                                          

     E ali se encontrava John, sentado em seu quarto pensando, e tomando conta de um fato que ele preferiria não ter percebido: Ele estava confuso.
     Mas não era aquela indecisão de escolher se quer com ou sem creme o seu sanduíche; a decisão que tinha que tomar, mexia com duas pessoas, e eram as duas pessoas mais importantes para ele naquele momento, as duas garotas seguravam a vida de  John partida e divida em duas, e John tinha a difícil missão de arrancar a parte das mãos de uma das duas e se entregar completamente à outra.
     Antes do desfecho, deixe-me falar um pouco sobre as duas possuidoras das partes da vida desse pacato garoto: Uma é Sarah, com seus lindos olhos verdes, seu corpo escultural, seu talento para a dramaturgia e dança. Menina difícil, Sarah pareceu sempre amar John mas de repente a história medíocre, rotineira e cronogramada de John se estremeceu e desabou quando ele conheceu Ashley.                                                                                                                                                         
      Ashley, Com seu penetrante olhar de olhos castanhos, sua capacidade de entender John, seu Q.I acima da média, seu corpo rígido, flexível e também escultural, e sua simpatia inconfundível encantaram John quando ele nunca achou que alguém poderia encanta-lo e arrebata-lo de tal maneira.
     Além de Ashley o compreender como ninguém, conseguiu mostrar a John um lado da vida que ele achava que não existia, reviveu um lado dele que ele nem lembrava que possuía.
     Depois de quase um ano de namoro com Sarah, John estava vivendo de novo, não estava só existindo.
     Mas John ainda tinha amor pelos muitos momentos que passou com Sarah, e ele também tinha medo de estar equivocado e deixar pra trás o que poderia ser um próspero e longo relacionamento, por ter sido enganado por uma paixão boba que ele achou ser bem mais do que era.
     E lá estava John, no ápice do silêncio em seu quarto, pensando: “_Por quê meu Deus, por quê fui abençoado com tanta graça?”