Hoje senti saudade de toda mulher
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.
Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.
E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Coliseu.
O lugar era extremamente quente. As chamas cegavam e faziam os olhos lacrimejarem. Ao longe se via todas as cordilheiras montanhosas e vulcânicas infernais. E satã era maior que todas, que tudo, que todos. Dentro de uma arena romana em ruínas, eu empunhava uma estaca de empalação cromada, e estava vestido apenas com um jeans. E suava muito, feito um porco. No outro lado da arena, se encontrava uma moça, fumando, munida de um machado negro e lindos olhos verdes. Ela vestia uma calcinha vermelha e uma camiseta do black sabbath, cortada ao meio.
Enquanto eu tentava analisar o lugar e ler o que estava acontecendo, olhando assustado as pessoas imoladas me assistindo no coliseu do inferno, escuto um grito absurdamente grave e macabro.
-FIGHT!
A mulher veio correndo em minha direção, sedenta por sangue, gritando, com um piercing no septo do nariz, me lembrando muito um touro. Me senti na Espanha, dentro de uma tourada mortal de definitiva.
Quando ela se aproximou, buscando me acertar no ombro, bloqueei com o empalador e chutei-a na barriga, afasatando assim ela de mim. Eu era incapaz de fazer algo mais grave contra ela. Mas os ataques dela eram incessantes e insáciaveis e eu já me cansava daquilo tudo. Num momento de baixa guarda dela, lhe enfiei o empalador na coxa. Foi estranhamente delicioso, agora eu te entendia Vlad. Me lembrou muito o sexo aquela sensação.
-Só isso, homem? –Ela disse.
“Que merda”, eu pensei. Quando voltei à mim, já estava sem o antebraço esquerdo. Não doía, apenas sangrava. Agora a puta acordara de verdade, seus olhos eram vivazes e seus movimentos bem mais rápidos. Não durei muito tempo.
Agora eu me encontrava no chão, sem todos os membros, olhando as já caveiras imoladas gargalhando ao ritmo de satã.
A desgraçada se põe em cima de mim, me olha bem nos olhos, e com o tom mais exacerbado de crueldade diz:
-E agora garotão?
-Me arruma um cigarro desses seus? –Eu disse com certo sarcasmo.
Satã e a platéia explodiram de rir.
Ela me dá o cigarro, e enquanto eu fumo estranhamente, desmembrado, ouço ela dizer:
-Sabe que ainda falta um membro, não é?
Olho assustado pro meu pau.
-Não vou cortar ele não, vou fazer uma coisa beeeeem melhor.
A vagabunda tirou o que sobrava da minha calça, e começou a chupar, carinhosamente. Endureci e ela sentou. Gozei. Ela se banha no meu sangue com porra. E se arma pra me degolar. Cheguei a sentir o fio de lâmina encostar no meu pomo de adão.
Acordei procurando a respiração e de olhos arregalados. Val dormia tranquilamente do meu lado. Levantei, peguei o cigarro e o vinho, liguei o som bem baixinho e sentei ao pé da cama. Val acordou e me perguntou o que havia acontecido.
-Sonho ruim. –respondi enquanto ela dava uma golada no vinho –Vem cá, vamos trepar.
Depois de gozar eu não conseguia me decidir o que era pior: ser uma marionete para um jogo sádico de satã, ou ser capacho de uma mulher. Acho que é a mesma coisa, você sempre se fode no final.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
Madalena.
Quero casar
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz
Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu
Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.
Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.
Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar
descansar em paz.
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz
Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu
Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.
Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.
Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar
descansar em paz.
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Indústria.
Tinha dez anos, quando me fazia esse questionamento.
Quando tinha vinte, me questionava como a porra da terra cruel tinha surgido, e para onde iríamos, depois que fôssemos engolidos e devorados por essa merda. Eu fumava feito uma indústria em ritmo total de produção. Eu era uma indústria. Produzia poemas, cartas, contos e esse tipo de merda, enquanto escutava o zeppelin, pink floyd e essas merdas boas aí. E fumava demais. Sempre achei que morreria de enfizema pulmonar ou algo do tipo, aos cinquenta, ou sessenta. Sempre achei que um câncer me definharia até a morte lenta e já avisada pelos meus familiares fingindo estarem preocupados.
Aos trinta, bem, não cheguei aos trinta.
Morri com um café envenenado, por uma namorada neurótica e que tinha sérios problemas mentais. Uma delas. O cigarro ainda queimava, um incêndio se iniciara no tapete, e eu, agonizando estático, as reações me falharam. O ar já era. A única coisa que ainda funcionava na indústria eram as câmeras, meus olhos ardiam, minhas visão ficava turva, o laranja específico das chamas invadia meu cérebro que já não pensava em absolutamente nada, eu morria, mas não morria. Era mais louco que qualquer droga já experimentada, era uma experiência rica, detalhada e inconscientemente consciente. E dela não se tinha volta. Fiz o caminho aos vinte e nove.
A terra me engoliu, os vermes me devoraram. Morri sem ter a porra das respostas. Só servi para o entretenimento das pessoas, que gostavam de desgraça. A humanidade em geral. Apreciamos a desgraça porque somos uma. E das feias.
Assinar:
Comentários (Atom)



