quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Coliseu.



                O lugar era extremamente quente. As chamas cegavam e faziam os olhos lacrimejarem. Ao longe se via todas as cordilheiras montanhosas e vulcânicas infernais. E satã era maior que todas, que tudo, que todos. Dentro de uma arena romana em ruínas, eu empunhava uma estaca de empalação cromada, e estava vestido apenas com um jeans. E suava muito, feito um porco. No outro lado da arena, se encontrava uma moça, fumando, munida de um machado negro e lindos olhos verdes. Ela vestia uma calcinha vermelha e uma camiseta do black sabbath, cortada ao meio.
                Enquanto eu tentava analisar o lugar e ler o que estava acontecendo, olhando assustado as pessoas imoladas me assistindo no coliseu do inferno, escuto um grito absurdamente grave e macabro.
                -FIGHT!
A mulher  veio correndo em minha direção, sedenta por sangue, gritando, com um piercing no septo do nariz, me lembrando muito um touro. Me senti na Espanha, dentro de uma tourada mortal de definitiva.
                Quando ela se aproximou, buscando me acertar no ombro, bloqueei com o empalador e chutei-a na barriga, afasatando assim ela de mim. Eu era incapaz de fazer algo mais grave contra ela. Mas os ataques dela eram incessantes e insáciaveis e eu já me cansava daquilo tudo. Num momento de baixa guarda dela, lhe enfiei o empalador na coxa. Foi estranhamente delicioso, agora eu te entendia Vlad. Me lembrou muito o sexo aquela sensação.
                -Só isso, homem? –Ela disse.
“Que merda”, eu pensei. Quando voltei à mim, já estava sem o antebraço esquerdo. Não doía, apenas sangrava. Agora a puta acordara de verdade, seus olhos eram vivazes e seus movimentos bem mais rápidos. Não durei muito tempo.
                Agora eu me encontrava no chão, sem todos os membros, olhando as já caveiras imoladas gargalhando ao ritmo de satã.
A desgraçada se põe em cima de mim, me olha bem nos olhos, e com o tom mais exacerbado de crueldade diz:
                -E agora garotão?
                -Me arruma um cigarro desses seus? –Eu disse com certo sarcasmo.
Satã e a platéia explodiram de rir.
Ela me dá o cigarro, e enquanto eu fumo estranhamente, desmembrado, ouço ela dizer:
                -Sabe que ainda falta um membro, não é?
Olho assustado pro meu pau.
                -Não vou cortar ele não, vou fazer uma coisa beeeeem melhor.
A vagabunda tirou o que sobrava da minha calça, e começou a chupar, carinhosamente. Endureci e ela sentou. Gozei. Ela se banha no meu sangue com porra. E se arma pra me degolar. Cheguei a sentir o fio de lâmina encostar no meu pomo de adão.
                Acordei procurando a respiração e de olhos arregalados. Val dormia tranquilamente do meu lado. Levantei, peguei o cigarro e o vinho, liguei o som bem baixinho e sentei ao pé da cama. Val acordou e me perguntou o que havia acontecido.
                -Sonho ruim. –respondi enquanto ela dava uma golada no vinho –Vem cá, vamos trepar.
Depois de gozar eu não conseguia me decidir o que era pior: ser uma marionete para um jogo sádico de satã, ou ser capacho de uma mulher. Acho que é a mesma coisa, você sempre se fode no final.

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