quarta-feira, 24 de julho de 2013

Fusca 69.


Acordei, me levantei e fui para o maldito e cotidiano banho matinal gelado, a única parte ruim dos dias frios, diga-se de passagem. Me vesti ( calça jeans, camiseta preta, coturno e um agasalho preto como de costume), bebi meu café de três dias trás que sempre deixa meu estômago tão ruim quanto a música pop atual, acendi um cigarro e fumei-o prazerosamente, escovei os dentes com muita má vontade (como a que eu tenho em viver hoje), tranquei a casa, chequei: carteira, cigarros, celular, dinheiro, chave de casa e, merda! Tinha esquecido a chave do carro. Voltei, pequei a chave e liguei (tentei ligar por uns 7 minutos) meu fusca branco ano 1969 que era um presente do meu avô e fui para o trabalho, medíocre como eu. Executei minhas funções ridiculamente fáceis, ouvi muita coisa desagradável de minha chefe insuportavelmente simpática, dona de profundos e lindos olhos verdes e de um realmente belo sorriso comprado.
Voltei para meu apartamento ridiculamente apertado (onde eu morava só) totalmente desapegado de bens materiais, não por ideais, mas sim por falta de recursos mesmo, afinal, alguma coisa tinha que ser sacrificada para que tanta cerveja e tantos cigarros possam ser consumidos.
Tirei meu coturno desconfortável, deitei em minha cama, adormeci e sonhei com uma rainha sereia que de tão magra e tão sereia não deveria ser comida por nenhum macho daquela tal espécie de sereia. O sonho estava em uma perspectiva totalmente periférica e deliciosamente sem quaisquer interatividade com quem sonhava, até que como um raio ou um choque, se transforma na minha própria visão, em primeiríssima pessoa, e lá estava eu, pronto para traçar a princesinha magrela com minha rôla tritonesca, até que vi ela rasgando suas nadadeiras, na tentativa de ter pernas, e então subo mais o olhar, vejo sua barriga esculpida seus peitos pequenos e firmes, muito firmes. Em seu colo estava escrito meu nome em vermelho e seus olhos eram assustadoramente verdes e seus dentes pavorosamente pontudos, e de repente a princesa sereia abre a boca, prepara o bote, e avança em meu rumo. " Acorde!" Ouvi-me gritando para mim mesmo.
Eram duas da manhã, o vento urrava na janela com vidros de segunda mão, tentei ler um livro, não funcionou. Um cigarro, não funcionou também, calcei o coturno, liguei o fusca e fui beber algo em um bar qualquer, tentei dois goles em uma cerveja, não desceu.
Peguei o carro, voltando para a casa, me deparo com um outdoor enorme, escrito "LINDA, Tudo que você precisa". Odeio essa cidade, ela me destrói a cada segundo, me afoga em memórias (hoje póstumas), maldita cidade!
Acendi um cigarro, e 500 metros depois, joguei meu fusca 69 nas ferragens de uma construção de um metrô voador. Dizem que morri, eu não sei se acredito. Só sei que a sereia criou belas pernas torneadas, teve um filho e  é casada com um tritão que tem câncer no peito e um pau torto, como minha vida.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Azedume.

Me abuse
Me use
Me dê
Um chute
Me acuse
Não você
Porquê
O desfrute
Define
o ser.

O sim
Imaginário
O fim
do sagitário.

De todas
As crenças
Desavenças
escrotas.

De ano
Em ano
De mês
em mês
Foram seis.

De sempre
em sempre
Azedume
do ano
Se resume
no
Eu
Te
Amo.

domingo, 7 de julho de 2013

Dear Nurse.

Dear Nurse, wherever you are now, i need you to know that i love you. That's the easy fact. The hard fact is that i don't know how to be with you, how to kiss you again, how to caress you again, how to spread your legs again, you know, how to have you one more fucking time. I know you love some fucking speed, but the slow is much better for you sometimes. I am the guy who fucked your life a three times at least, i know. But i need you back. I need your smell, i need your laugh, i must have that pink-pursuit of pleasure again. Please, call me, talk with me, betray me, lose me and win me again. I am nothing without you, just a blank of shit in the fucking giant space of nothing. That day, my friend was a little arsonist i think, he burned up it all, with some non-thought shit, like he always did, but he's a good guy, i think. And i really don't want to lose you for the goddamn universe forever, by the mistake of a fuckin' retarded kid. Come on, i know you love me, and i know that you want my magnificent cock again. If you don't come back, at least give me a sign that you're still alive, that you still can breath and look me with those fuckin' devil's-deep-green eyes. I love you, my nurse.

P.S.: Please, you have to lose some leap of faith on a type like me, that's must be the journey of your life.

    With pleasure, and a little bit of fear, Michael Chowski.