quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Certeza.

É fácil falar da morte
enquanto se está vivo.
é fácil reproduzir cegamente: "A única certeza da vida é a morte".
sem ter certeza de nada.
Você tá vivo.
Seu coração ainda bombeia sangue
pro seu pau
pro seu pé.
Seu pulso ainda pulsa
o pulsar dos pulsos cortados
o pus que sai
quando inflama a ferida
é nojento
é vivo.

Já se imaginou por dentro e viu o quão podre e nojento você é?
Essa coisa horrorosa que te compõe
é vida. Engraçado né amigo?

Então antes de reclamar e jogar a culpa na morte como uma putinha, dizendo que ela resolve tudo, viva, palhaço. Você nem sabe se ela existe mesmo. Você nunca morreu. Ou já tá morto por dentro?

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Mia Culpa.



Espirais capilares
sorrisos faceiros
auxiliando os olhares

A bunda empinada
refletindo a luz solar
A cerveja gelada
embebedando o embriagar

Somos duas almas
presas
soltas
calmas
Nadando sem achar nada
Mas reconhecendo uma outra
na escuridão
da bem vista solidão.
Me vê duas
três
quatro ou
quantas cervejas for preciso
pr’eu descobrir esse corpo novamente
com minha
nova
mente.

Soldado.



O beco cheira medo
As calçadas de pedra
cantam com o acender
do isqueiro
O cigarro
dança entre os dedos
do soldado
da morte
para o qual
a sorte
não sorriu.

No bolso o cachimbo
Na cabeça o desvio
veaco, esperto
não é preto velho
mas traz a pessoa amada
morta
torta
dentro de uma caixa
Importa
Exporta
balas
facadas
Tiros pelo corpo
na perna
no torso
e pelo encosto
ele clama
leva o demônio
como proteção
pra evitar a redenção
no inferno
Sendo passivo
Inferno esse que ele já vive
o inferno dos vivos.

foto: José Medeiros.