Então, tudo se clareou. O mundo se mostra um pouco menos misantropo, menos turvo. Ele ainda guarda o cigarro, no lugar onde dormiam as pinças. Pois é, conseguiram encontrar um lugar onde nenhum ser humano jamais conseguiu realmente estar, e mais impressionante, conseguiram permanecer lá. E pelo que vejo, como mero espectador, permanecerão por um bom tempo. Vieram vinte melhores amigos, e depois quarenta, que se dividiam automaticamente entre alguns colegas. Quarenta e poucos melhores amigos que derivaram desses seres mágicos e interessantes, que constantemente se tranformam, mas parecem sempre permenecer o mesmo. Um cigarro atordoado e indeciso deixou o coitado com uma cara de psicopata retardado, que no final percebeu que era daquele jeito que desejaria ser para sempre, sempre fumando seu cigarro que naquele momento, chegava a ser até delicado.
Hoje tive uma conversa com meu amigo tão querido, que me agradeceu por sempre estar com ele, fumando meu cigarro com cara de um retardado psicopata, e pediu-me que nunca nada recompensará o que fizera por ele. "Muito obrigado, de verdade".-Ele disse.
O fim dessa história, se é que é uma história, eu não sei. Só sei que como mero personagem, irei sobrevivendo, e em alguns momentos vivendo ela, até que as sirenes toquem, ou talvez a temida sétima trompeta.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Aleatório.
Tudo que ele sempre quis foi escrever um texto só com palavras, sem constar momentos ou influências de sua própria vida, como faziam os grandes autores surrealistas com a escrita automática. Mas ele não conseguia. Não conseguia se abster de todo os momentos e sentimentos que corriam em sua cabeça, corriam muito, e aliás, sem cessar. Eis que da primeira tentativa ele não obteve sucesso: "Aqui jaz o cigarro, que criará como consciência meu pigarro, insano cigarro."
Ele era tão patético, que sentia algo até pela desgraça do cigarro. Amava seu marlboro vermelho mais do que muito filho ama à sua mãe, mesmo sabendo que essa bomba de monóxido de carbono, alcatrão e nicotina explodiria algum dia em seus pulmões cinzas. Se livrando assim de toda a pureza e de toda a inocência da ignorância.
E durante sua patética e mesquinha vida de tentativas de escrever um texto neutro, e totalmente inerte em relação aos seus sentimentos, o infeliz viveu muito mais coisas felizes do que deveria, e para sua alegria se decepcionou também, muito mais do que pensaria que iria. Um desperdício tão grande de emoções, e de chances de se expressar, tantas coisas esplêndidas vividas, ricas e construtivas, sendo jogada no lixo por um inútil aleatório. Ele personificava a aleatoriedade: Escrevia aleatório, pensava aleatório, e vivia... vocês podem imaginar como.
Ele tinha mania de conversar com o interlocutor, mesmo com um conteúdo sem alma nenhuma. Gostava de se relacionar e estabelecer uma conexão emocional com o leitor, mesmo onde não existia nenhuma, costumava escrever uma pequena reflexão subjetiva ao final de cada pedaço de merda que escrevia, como se houvesse algo para refletir.
Tinha o sonho de ser escritor, mas não queria nunca misturar as coisas, queria apenas, escrever.
E em uma tarde ensolarada, sozinho em seu apartamento apertado, que possuía letras, só para afirmar que era um cubículo abafado, ele conseguiu enfim, escrever o poema de sua vida. Sem sentimentos, emoções ou qualquer tipo de reações ao seu redor, apenas palavras.
"Quarto
Cigarro
Cozinha
Cigarro
Cama
Inflama
Cigarro
Banheiro
Cigarro
Pigarro
Cancêr
Cama
Sangue
Morte."
Ele era tão patético, que sentia algo até pela desgraça do cigarro. Amava seu marlboro vermelho mais do que muito filho ama à sua mãe, mesmo sabendo que essa bomba de monóxido de carbono, alcatrão e nicotina explodiria algum dia em seus pulmões cinzas. Se livrando assim de toda a pureza e de toda a inocência da ignorância.
E durante sua patética e mesquinha vida de tentativas de escrever um texto neutro, e totalmente inerte em relação aos seus sentimentos, o infeliz viveu muito mais coisas felizes do que deveria, e para sua alegria se decepcionou também, muito mais do que pensaria que iria. Um desperdício tão grande de emoções, e de chances de se expressar, tantas coisas esplêndidas vividas, ricas e construtivas, sendo jogada no lixo por um inútil aleatório. Ele personificava a aleatoriedade: Escrevia aleatório, pensava aleatório, e vivia... vocês podem imaginar como.
Ele tinha mania de conversar com o interlocutor, mesmo com um conteúdo sem alma nenhuma. Gostava de se relacionar e estabelecer uma conexão emocional com o leitor, mesmo onde não existia nenhuma, costumava escrever uma pequena reflexão subjetiva ao final de cada pedaço de merda que escrevia, como se houvesse algo para refletir.
Tinha o sonho de ser escritor, mas não queria nunca misturar as coisas, queria apenas, escrever.
E em uma tarde ensolarada, sozinho em seu apartamento apertado, que possuía letras, só para afirmar que era um cubículo abafado, ele conseguiu enfim, escrever o poema de sua vida. Sem sentimentos, emoções ou qualquer tipo de reações ao seu redor, apenas palavras.
"Quarto
Cigarro
Cozinha
Cigarro
Cama
Inflama
Cigarro
Banheiro
Cigarro
Pigarro
Cancêr
Cama
Sangue
Morte."
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Civil.
Enquanto queima não dói
Mas quando cicatriza, o sofrimento
Ecoa nas veias, parece que a mente rói
Minhas entranhas através do pensamento
E quem me dera um dia
Quem dera um dia conseguir
Perceber que realmente havia
Que havia vida na arte de mentir.
Mas meu equílibrio insano
Que principalmente hoje se manifesta
Tem consciência do dano
E que me atinge direto na testa
Em um disparo que se aprofunda
Por dentro da matéria moribunda
De minha mente
Talvez carente.
Mas quando cicatriza, o sofrimento
Ecoa nas veias, parece que a mente rói
Minhas entranhas através do pensamento
E quem me dera um dia
Quem dera um dia conseguir
Perceber que realmente havia
Que havia vida na arte de mentir.
Mas meu equílibrio insano
Que principalmente hoje se manifesta
Tem consciência do dano
E que me atinge direto na testa
Em um disparo que se aprofunda
Por dentro da matéria moribunda
De minha mente
Talvez carente.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Gêmeas Colt.
Bill se arrumava para a maior festa de sua vida. Era uma grande comemoração para coisa nenhuma, só para os ladrões de bancos e os bandidões mais pesados beberem e atirarem para o alto e bater o pé, dançando talvez. Mas que uma coisa fique clara: Bill não era bandido, não tinha alma de bandido, só achava que era um. Essa esbórnia acontecia desde o topo das colinas até os baixos campos de algodão, que diga-se de passagem, era a rota do lendário rio de whisky.
Bill vestiu suas calças, sua camisa, seu colete, prendeu seu coldre gasto na cintura e nele colocou as gêmeas colt 45'', lustrou e calçou suas botas e colocou o chapéu, enfim estava pronto. Passou pela sala e lá estava sua mãe, tricotando um suéter ou coisa parecida. Ela bateu os olhos em Bill e disse:
_"Com essas armas, daqui você não sai". Bill retrucou:
_"Já sou bem grandinho mãe, e atiro mais rápido que qualquer um por essas bandas!"
_"Ouça sua mãe, meu filho, só deixe essas armas em casa." E então, ele beijou sua mãe e seguiu seu caminho.
Três horas depois, nosso pseudo-bandido chegou em seu destino (deixando sua mãe em casa desolada em lágrimas.), e se deparou com uma coisa que ele realmente não esperava, mas que, era exatamente o que queria ver: Um denso e imensurável caos.
O celeiro era gigante, abafado, sombrio, parecia estar localizado no mais fundo e obscuro lado negro. Estavam lá: Ladrões, fugitivos, ladrões fugitivos, assassinos e etc. Todo tipo de gente ruim se encontrava lá. Não era de se esperar nada melhor vindo de uma festa que acontece nas terras do velho doido Willy, um velho doido e beberrão, que é capaz de matar quem lhe raspar o olhar. Tudo de ruim acontecia ali, mas nada de inesperado para uma ordinária quinta-feira, doze de agosto.
E então chega a meia-noite, o clima pesa mais ainda (o que parecia impossível), os bandidos agora viram obreiros e começam a montar altares, pegam os instrumentos e começam a tocar um ritmo estranho (que hoje é denominado Country Hardcore), e começam a comentar que precisam de um sacrífico para invocar o convidado principal, que usa um perfume de enxofre. E então começam a procurar pelo caos, alguém que sirva para tal função. Ficaram um tempo procurando, até que acharam um garoto franzino que ironicamente usava um coldre gasto com um par de colt's e que tinha descendência indígena, e começam a caçoar dele. E então percebem que era o sacrifício perfeito, Bill tenta reagir, tira seu par de colt's e tenta atirar, mas o ladrão bêbado atirava três vezes mais rápido que ele, pois aprendera a atirar bebum (aquele tal de Jack "Bufallo Head"). Enquanto agonizava, Bill tinha as palavras de sua mãe na cabeça: "Só deixe essas armas em casa", mas não agonizou por muito tempo. Logo sua caveira serviu de caneca para o sangue do convidado principal, com os ventos do azar soprando, e agora no fundo inferno do Tennessee, o baile começara de verdade.
_"Com essas armas, daqui você não sai". Bill retrucou:
_"Já sou bem grandinho mãe, e atiro mais rápido que qualquer um por essas bandas!"
_"Ouça sua mãe, meu filho, só deixe essas armas em casa." E então, ele beijou sua mãe e seguiu seu caminho.
Três horas depois, nosso pseudo-bandido chegou em seu destino (deixando sua mãe em casa desolada em lágrimas.), e se deparou com uma coisa que ele realmente não esperava, mas que, era exatamente o que queria ver: Um denso e imensurável caos.
O celeiro era gigante, abafado, sombrio, parecia estar localizado no mais fundo e obscuro lado negro. Estavam lá: Ladrões, fugitivos, ladrões fugitivos, assassinos e etc. Todo tipo de gente ruim se encontrava lá. Não era de se esperar nada melhor vindo de uma festa que acontece nas terras do velho doido Willy, um velho doido e beberrão, que é capaz de matar quem lhe raspar o olhar. Tudo de ruim acontecia ali, mas nada de inesperado para uma ordinária quinta-feira, doze de agosto.
E então chega a meia-noite, o clima pesa mais ainda (o que parecia impossível), os bandidos agora viram obreiros e começam a montar altares, pegam os instrumentos e começam a tocar um ritmo estranho (que hoje é denominado Country Hardcore), e começam a comentar que precisam de um sacrífico para invocar o convidado principal, que usa um perfume de enxofre. E então começam a procurar pelo caos, alguém que sirva para tal função. Ficaram um tempo procurando, até que acharam um garoto franzino que ironicamente usava um coldre gasto com um par de colt's e que tinha descendência indígena, e começam a caçoar dele. E então percebem que era o sacrifício perfeito, Bill tenta reagir, tira seu par de colt's e tenta atirar, mas o ladrão bêbado atirava três vezes mais rápido que ele, pois aprendera a atirar bebum (aquele tal de Jack "Bufallo Head"). Enquanto agonizava, Bill tinha as palavras de sua mãe na cabeça: "Só deixe essas armas em casa", mas não agonizou por muito tempo. Logo sua caveira serviu de caneca para o sangue do convidado principal, com os ventos do azar soprando, e agora no fundo inferno do Tennessee, o baile começara de verdade.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Descendente de Meretriz.
Suas imperfeições com as minhas se combinam
Suas curvas me fazem permanecer aleatório
Curvas que me deixam fora desse universo caótico
Onde todos meus problemas só anseiam
Nesse curto intervalo de tempo
Retornar e me chamar novamente
Quem me dera fosse permanente
A sensação de não ficar tenso
E isso tudo graças a você
Que sempre pareceu me amar
E que em minutos parece prever
Que de ti nunca irei soltar
Mas como Adão e Eva
Com o pecado da proibida fruta
Tu terás a prova com certeza
Que de ti não preciso, Filho da puta!
Suas curvas me fazem permanecer aleatório
Curvas que me deixam fora desse universo caótico
Onde todos meus problemas só anseiam
Nesse curto intervalo de tempo
Retornar e me chamar novamente
Quem me dera fosse permanente
A sensação de não ficar tenso
E isso tudo graças a você
Que sempre pareceu me amar
E que em minutos parece prever
Que de ti nunca irei soltar
Mas como Adão e Eva
Com o pecado da proibida fruta
Tu terás a prova com certeza
Que de ti não preciso, Filho da puta!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
O olho do tigre.
O tigre observa sua presa em qualquer lugar. Ele a observa quando é noite, ao amanhecer. Ás vezes, ele observa sua presa fazendo suas refeições com outras presas. Muitas vezes o tigre pode estar disfarçado e passar noites com sua presa, se dirvetindo e até aproveitando a situação de certa forma. Sua presa o ensina muitas coisas da vida, e acaba se tornando sua amiga. Inexplicável, curioso. E então sua amiga (ex-presa), um cigarro de cabelos vermelhos e olhos enigmáticos, tira sua fantasia, e preda o tigre sem dó o fazendo sofrer como nunca antes. Mas é o que dizem, sempre vem a manhã após a tempestade.
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