sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Soneto da Esquizofrenia.

Converso comigo mesmo dentro daquela sala suja

Olhando pra trás percebo que a vida imunda

parece um desinfetante de rosas

mortas, murchas, vomitando prosas

sobre as flores que morreram naquele quintal

na casa da esquina que eu vivi e matei parte de mim


A fênix negra não vai mais renascer aqui

o escravo e o mestre não estão mais nem aí

O cigarro e o pigarro e nem o escarro

já não são a parte principal do ato


Fecham-se as cortinas, apaga-se o teatro

lá me vejo no escuro, em total escuridão

interna e externa, sinfonia da destruição

elas me rodeiam, urrando e gemendo antigas

canções

um tornado de almas, estariam elas dentro ou fora

das orações?


Abrem-se as cortinas, o sorriso amarelo brilha

como se o dono ainda tivesse alguma vida

Sejam bem vindos senhoras e senhores

infinitas horas de penhores

entre dona morte e eu em mesas de bares

e lá vou eu, me perdendo em olhares 

antes mulheres, hoje fantasmas

o destino firme, hoje me escapas

quase como o último cigarro 

o último

cigarro

que com trêmulos dedos

acendi e 

deixei

cair.


Respeitável público, queiram aceitar de coração

o sincero e cordial adeus

de... quem mesmo?

como vou me despedir mesmo?

se quem não me conhece

nem sabe que eu mesmo não me conheço?

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Fantasmas.


Imensidão de silos
e máquinas e terra
vermelha.
meio do cerrado bandido
peões, capacetes e serras
estreitas.
A paisagem parece estática
folhas caem, pinheiros e araucárias
as botas sujas de poeira
também vermelha
parecem em um dia
contar a história de muitas vidas
perdidas, no meio do mato
enquanto eu ainda trago
e me embriago
com os desgraçados fantasmas
do meu amargo passado.