Converso comigo mesmo dentro daquela sala suja
Olhando pra trás percebo que a vida imunda
parece um desinfetante de rosas
mortas, murchas, vomitando prosas
sobre as flores que morreram naquele quintal
na casa da esquina que eu vivi e matei parte de mim
A fênix negra não vai mais renascer aqui
o escravo e o mestre não estão mais nem aí
O cigarro e o pigarro e nem o escarro
já não são a parte principal do ato
Fecham-se as cortinas, apaga-se o teatro
lá me vejo no escuro, em total escuridão
interna e externa, sinfonia da destruição
elas me rodeiam, urrando e gemendo antigas
canções
um tornado de almas, estariam elas dentro ou fora
das orações?
Abrem-se as cortinas, o sorriso amarelo brilha
como se o dono ainda tivesse alguma vida
Sejam bem vindos senhoras e senhores
infinitas horas de penhores
entre dona morte e eu em mesas de bares
e lá vou eu, me perdendo em olhares
antes mulheres, hoje fantasmas
o destino firme, hoje me escapas
quase como o último cigarro
o último
cigarro
que com trêmulos dedos
acendi e
deixei
cair.
Respeitável público, queiram aceitar de coração
o sincero e cordial adeus
de... quem mesmo?
como vou me despedir mesmo?
se quem não me conhece
nem sabe que eu mesmo não me conheço?
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