Tinha dez anos, quando me fazia esse questionamento.
Quando tinha vinte, me questionava como a porra da terra cruel tinha surgido, e para onde iríamos, depois que fôssemos engolidos e devorados por essa merda. Eu fumava feito uma indústria em ritmo total de produção. Eu era uma indústria. Produzia poemas, cartas, contos e esse tipo de merda, enquanto escutava o zeppelin, pink floyd e essas merdas boas aí. E fumava demais. Sempre achei que morreria de enfizema pulmonar ou algo do tipo, aos cinquenta, ou sessenta. Sempre achei que um câncer me definharia até a morte lenta e já avisada pelos meus familiares fingindo estarem preocupados.
Aos trinta, bem, não cheguei aos trinta.
Morri com um café envenenado, por uma namorada neurótica e que tinha sérios problemas mentais. Uma delas. O cigarro ainda queimava, um incêndio se iniciara no tapete, e eu, agonizando estático, as reações me falharam. O ar já era. A única coisa que ainda funcionava na indústria eram as câmeras, meus olhos ardiam, minhas visão ficava turva, o laranja específico das chamas invadia meu cérebro que já não pensava em absolutamente nada, eu morria, mas não morria. Era mais louco que qualquer droga já experimentada, era uma experiência rica, detalhada e inconscientemente consciente. E dela não se tinha volta. Fiz o caminho aos vinte e nove.
A terra me engoliu, os vermes me devoraram. Morri sem ter a porra das respostas. Só servi para o entretenimento das pessoas, que gostavam de desgraça. A humanidade em geral. Apreciamos a desgraça porque somos uma. E das feias.

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