quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Madalena.

Quero casar
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz

Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu

Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.

Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.

Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar

descansar em paz.


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