Eu estava sentado à beira da cama, fumando um cigarro, ela, deitada na outra ponta encostada na cabeceira da cama com a camisola verde, eu odiava verde, mas aquela camisola, ela simplesmente purificava meus pecados, justamente pela facilidade de tira-la que eu havia conquistado.
A menina era simplesmente um anjo, pele branca, olhos verdes/castanhos/azuis/negros (como um de um demônio), e um corpo perfeitamente imperfeito, estrias, celulites e algumas varizes, causadas pelo leve atrofiamento do joelho, devido a uma queda no ballet. Mas até essas pequenas imperfeições deixavam ela perfeita, eu não a conhecia bem, só sabia que estava de camisola e sem calcinha, em minha cama.
-apaga esse cigarro e vem me acender.
-mas esse é meu vício, moça.
-não tá afim de se viciar em outra coisa não? -E abriu as pernas.
Foram as duas horas mais felizes que tive em dois anos.
Fizemos uma vez, gozamos mutuamente. Bebi uma garrafa de vinho.
Fizemos duas vezes, só ela gozou. Três cervejas.
Na metade da terceira, o mundo através de mim girou e tudo que pude ver foi a moça, virando um borrão angelical, e tudo se apagou. Vomitei por três gerações, e apaguei de vez. Fodi tudo.
Acordei pela manhã, ela não estava mais lá, só o cheiro de cigarro, boceta e vômito.
Acendi mais um. Acho que se eu não o comprasse, e o forçasse a estar comigo, nem ele estaria.

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