segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Shards.

No fuckin' lovers
In this town
of dead doves.

Rise up the cigarrete
don't claim so much effect

Wake the morning
shave your balls

Embrace the boring
fact that we'll all fall

You walt the streets
you talk to the sheetless
homeless
the shit of the shitty
society sheet
That covers up
the lovers
the doves
the fuckers
the dead
the living

All the same shit
we cover out in life,
our lives, sucks.

So knock up the feet
and lay back down

Wake up again
to feel the same pain
Look at the mirror
See how lame
you became.

Shave your beard
comb your hair
put your suit
your sweater up

Open the door.

breath in
breath out.
for no reason for.

Gain your way out
for work
a street full of blood
the invisible dead bodies
your work sucks
your life sucks.

We're all alone in our rooms
With the ghosts of
the field of the
dead cities in
shards
inside our fucking
hearts.

sábado, 22 de novembro de 2014

Cimento, chupar, fino zelo.

Eu sou o escravo
e sou o mestre
eu sou o frasco
e sou a febre

sou cimento que concreta
meus sorrisos em tuas veias
garoa fina que decreta
meu zelo viajante em tuas teias

Eu nunca clamei ser santo
Urra, solta teu pranto!
Tira esse sapato
Esparrama as pernas, enquanto
Anseio por perder
Meus dedos, em teu fino cabelo
Oleoso, fino e majestoso.

E enquanto ficar
por favor
me deixe chupar
todo mal com fervor
Te chupar por fervor
Te sugar com amor
todo aquele que tenho
e que venho aqui lhe dizer
do fundo
do meu ser.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Venice, Bitch.


No hotel onde eu trabalhava, que era uma Veneza ridícula, inundada de gente inútil, onde eu simplesmente não gostava de estar perto. Só as mulheres as vezes prestavam, aquelas coroas sedentas de paus e eu tinha um que funcionava, funcionava muito bem por sinal.
O dono era uma comédia, um velho morfético, mesquinho, gritalhão e burro pra caralho. A mulher dele, uma coroa enxuta e siliconada, que tratava quaisquer um como rei e quando precisava, jogava-os no inferno, a vadia controlava o financeiro e o hotel inteiro, pois tinha o controle do velho. E assim, como marionetes, ela humilhava ali, elogiava aqui, xingava acolá, fazia toda essa porra impune, por trás de uma face angelical e lindos olhos verdes. Aquela puta tinha olhos bonitos, profundos como toda a mentira que aquele hotel escorria entre as infiltrações das paredes. Ah, comi aquela puta também.
Em mais uma tarde ordinária de trabalho, eu era o cartão de visitas do hotel, fumando um cigarro na frente do próprio, com um copo descartável de café e um desejo de suicídio, por quão patético eu deveria estar, com toda aquela roupa social preta e branca, e aquela gravata. Um panda do proletariado, uma espécie em extinção, que ainda luta pra sobreviver contra essa sociedade de merda. Mas ali eu estava, fazendo parte daquele organismo vivo, morrendo e apodrecendo junto com ele.
Mas espera aí, eu podia fazer algo! Eu era uma célula quase importante daquela porra. Eu conhecia cada veia, o estomago e o rim do hotel, e o coração principalmente.
Um dia, no turno da noite, me esgueirei entre os corredores, desliguei o gerador e ninguém estranhou, afinal as quedas de energia eram normais naquela espelunca. Subi no padrão geral, e saí cortando todos os fios com uma faca, não fazia ideia do que estava fazendo, mas eu estava, nada dava certo. Peguei meu isqueiro e comecei a simplesmente queimar tudo que se podia queimar ali. Saí correndo e passei na recepção pra avisar meu parceiro de turno, que aquela porra ia se desfazer. Enquanto ele corria pelos corredores escuros, eu voltei pro gerador e liguei a fase de novo. Ouviram-se vários estouros e viram-se muitos clarões, eu acendi meu cigarro, enquanto sentava no ponto de ônibus do outro lado da rua. Demorei 20 minutos vendo o velho e a puta velha agonizando e me gritando do outro lado da rua para chamar os bombeiros. Eu apenas mostrava o dedo médio enquanto ele era comido pelas chamas. Agora a Veneza era inundada apenas de línguas laranjadas, flamejantes e de fumaça.
Welcome to Venice, Bitch.
Acordei com o despertador berrando, estava atrasado de novo pra porra do trabalho.
2 horas se passam.
-Venice Hotel, Michael, Boa tarde, em que posso ajudar? - E suspirei.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Val.

Hoje senti saudade de toda mulher
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.

Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.

E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Coliseu.



                O lugar era extremamente quente. As chamas cegavam e faziam os olhos lacrimejarem. Ao longe se via todas as cordilheiras montanhosas e vulcânicas infernais. E satã era maior que todas, que tudo, que todos. Dentro de uma arena romana em ruínas, eu empunhava uma estaca de empalação cromada, e estava vestido apenas com um jeans. E suava muito, feito um porco. No outro lado da arena, se encontrava uma moça, fumando, munida de um machado negro e lindos olhos verdes. Ela vestia uma calcinha vermelha e uma camiseta do black sabbath, cortada ao meio.
                Enquanto eu tentava analisar o lugar e ler o que estava acontecendo, olhando assustado as pessoas imoladas me assistindo no coliseu do inferno, escuto um grito absurdamente grave e macabro.
                -FIGHT!
A mulher  veio correndo em minha direção, sedenta por sangue, gritando, com um piercing no septo do nariz, me lembrando muito um touro. Me senti na Espanha, dentro de uma tourada mortal de definitiva.
                Quando ela se aproximou, buscando me acertar no ombro, bloqueei com o empalador e chutei-a na barriga, afasatando assim ela de mim. Eu era incapaz de fazer algo mais grave contra ela. Mas os ataques dela eram incessantes e insáciaveis e eu já me cansava daquilo tudo. Num momento de baixa guarda dela, lhe enfiei o empalador na coxa. Foi estranhamente delicioso, agora eu te entendia Vlad. Me lembrou muito o sexo aquela sensação.
                -Só isso, homem? –Ela disse.
“Que merda”, eu pensei. Quando voltei à mim, já estava sem o antebraço esquerdo. Não doía, apenas sangrava. Agora a puta acordara de verdade, seus olhos eram vivazes e seus movimentos bem mais rápidos. Não durei muito tempo.
                Agora eu me encontrava no chão, sem todos os membros, olhando as já caveiras imoladas gargalhando ao ritmo de satã.
A desgraçada se põe em cima de mim, me olha bem nos olhos, e com o tom mais exacerbado de crueldade diz:
                -E agora garotão?
                -Me arruma um cigarro desses seus? –Eu disse com certo sarcasmo.
Satã e a platéia explodiram de rir.
Ela me dá o cigarro, e enquanto eu fumo estranhamente, desmembrado, ouço ela dizer:
                -Sabe que ainda falta um membro, não é?
Olho assustado pro meu pau.
                -Não vou cortar ele não, vou fazer uma coisa beeeeem melhor.
A vagabunda tirou o que sobrava da minha calça, e começou a chupar, carinhosamente. Endureci e ela sentou. Gozei. Ela se banha no meu sangue com porra. E se arma pra me degolar. Cheguei a sentir o fio de lâmina encostar no meu pomo de adão.
                Acordei procurando a respiração e de olhos arregalados. Val dormia tranquilamente do meu lado. Levantei, peguei o cigarro e o vinho, liguei o som bem baixinho e sentei ao pé da cama. Val acordou e me perguntou o que havia acontecido.
                -Sonho ruim. –respondi enquanto ela dava uma golada no vinho –Vem cá, vamos trepar.
Depois de gozar eu não conseguia me decidir o que era pior: ser uma marionete para um jogo sádico de satã, ou ser capacho de uma mulher. Acho que é a mesma coisa, você sempre se fode no final.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Madalena.

Quero casar
de véu e grinalda
na grama descalça
com um marido lindo
rico
sagaz e perspicaz

Quero ter
três filhos
O Emílio
a Ana e a Fernanda
que serão
pra sempre crianças
lindas e comportadas
quietas e bem educadas
assim como eu
e o plebeu

Plebeu esse que eu vou foder
toda noite
Até eu não mais poder
Ou até a arma do meu marido
gritar como a foice
da morte
A morte do plebeu bêbado
O bêbado plebeu
o morto plebeu
o bêbado morto.

Sair no noticiário
com cara de Madalena
arrependida
que pena
o conto do vigário
que eu armaria
fui eu que caí
e que nem madalena
apedrejada
por uma centena
no meio da praça
pelos populares populosos
as pedras penetravam meus ossos
minhas veias
minhas teias
as hemácias jorravam no chão de concreto
os gritos cegos
as lágrimas mudas
e nada mudava
e nunca acabava
e sem jesus pra me salvar
parei de lutar
definitivamente
com a chuva de pedras despencando
constantemente.

Acordei. Me vesti e fui trabalhar
Ganhar meu dinheiro
Pra de homem nunca precisar
E com poesia, só sonhar
e nada mais
Pra não precisar

descansar em paz.


quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Indústria.

Quanto tempo se dá, até um humano se decompor totalmente, sendo devorado pela própria terra que lhe hospedou, tão cruelmente?

Tinha dez anos, quando me fazia esse questionamento.

Quando tinha vinte, me questionava como a porra da terra cruel tinha surgido, e para onde iríamos, depois que fôssemos engolidos e devorados por essa merda. Eu fumava feito uma indústria em ritmo total de produção. Eu era uma indústria. Produzia poemas, cartas, contos e esse tipo de merda, enquanto escutava o zeppelin, pink floyd e essas merdas boas aí. E fumava demais. Sempre achei que morreria de enfizema pulmonar ou algo do tipo, aos cinquenta, ou sessenta. Sempre achei que um câncer me definharia até a morte lenta e já avisada pelos meus familiares fingindo estarem preocupados.

Aos trinta, bem, não cheguei aos trinta.
Morri com um café envenenado, por uma namorada neurótica e que tinha sérios problemas mentais. Uma delas. O cigarro ainda queimava, um incêndio se iniciara no tapete, e eu, agonizando estático, as reações me falharam. O ar já era. A única coisa que ainda funcionava na indústria eram as câmeras, meus olhos ardiam, minhas visão ficava turva, o laranja específico das chamas invadia meu cérebro que já não pensava em absolutamente nada, eu morria, mas não morria. Era mais louco que qualquer droga já experimentada, era uma experiência rica, detalhada e inconscientemente consciente. E dela não se tinha volta. Fiz o caminho aos vinte e nove.

A terra me engoliu, os vermes me devoraram. Morri sem ter a porra das respostas. Só servi para o entretenimento das pessoas, que gostavam de desgraça. A humanidade em geral. Apreciamos a desgraça porque somos uma. E das feias.