segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Irrisão.




Tony Callazans era um cara bem poderoso, procurador da justiça (não a convencional), e não tinha muita coisa com que se preocupar. Saía com as melhores mulheres, provava das mais doces bocetas, dirigia os melhores carros, fumava os melhores cigarros, resumindo, vivia a vida que todo proletário e escravo do sistema gostaria de viver. Porém, tudo isso tinha um preço, a dupla colt em sua cintura não se deixava enganar. Callazans não podia ter piedade, e nem se pudesse teria. Era realmente um procurador de justiça, justiça que dependia do tanto que se podia desembolsar. E aos poucos, Tony foi aprimorando seu serviço e se transformou no melhor matador que aquela região já vira: o mais rápido, o mais silencioso, o que menos fazia perguntas (talvez porquê era o que mais faturava). Toda vez ele pagava a conta, toda vez ele fumava um cigarro que era amaciado pela bebida que descia doce. Um dia whisky, um dia vodka, um dia cerveja importada, um dia putas caras e champagne e, quem sabe, um dia no inferno, pois só tinha um ponto negativo dentro dessa vida perfeita de Tony, nem suas habilidades, nem sua malícia, nem sua maldade, poderiam se livrar do garçom mais exigente que existe. Ele tem vários nomes, você, Tony e eu sabemos exatamente de quem, ou do quê se trata.
                “Talvez, ele não seja tão ruim assim. Talvez lá não seja tão ruim. O caminho deve se parecer com um elevador em disparada para baixo. O clima deve ser extremamente quente, mas já estive em lugares piores. O inferno é uma extensão da terra, um cigarro mal fumado, ou uma puta mal comida, não faz diferença. Pelo meu período de teste aqui, devo me sair bem lá. Agora seja homem, e puxe logo esse gatilho esse gatilho, filho da puta!”, disse Tony com a arma apontada em sua cabeça por Dick Fish. Dick chamou a conta. O garçom veio cobrar. Callazans decorou a parede do beco de vermelho-escuro e escárnio: mais uma obra diabólica para se colocar na parede do bar. O garçom nunca descansa.

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