É fácil falar da morte
enquanto se está vivo.
é fácil reproduzir cegamente: "A única certeza da vida é a morte".
sem ter certeza de nada.
Você tá vivo.
Seu coração ainda bombeia sangue
pro seu pau
pro seu pé.
Seu pulso ainda pulsa
o pulsar dos pulsos cortados
o pus que sai
quando inflama a ferida
é nojento
é vivo.
Já se imaginou por dentro e viu o quão podre e nojento você é?
Essa coisa horrorosa que te compõe
é vida. Engraçado né amigo?
Então antes de reclamar e jogar a culpa na morte como uma putinha, dizendo que ela resolve tudo, viva, palhaço. Você nem sabe se ela existe mesmo. Você nunca morreu. Ou já tá morto por dentro?
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Mia Culpa.
Espirais capilares
sorrisos faceiros
auxiliando os olhares
A bunda empinada
refletindo a luz solar
A cerveja gelada
embebedando o embriagar
Somos duas almas
presas
soltas
calmas
Nadando sem achar nada
Mas reconhecendo uma outra
na escuridão
da bem vista solidão.
três
quatro ou
quantas cervejas for preciso
pr’eu descobrir esse corpo novamente
com minha
nova
mente.
Soldado.
O beco cheira medo
As calçadas de pedra
cantam com o acender
do isqueiro
O cigarro
dança entre os dedos
do soldado
da morte
para o qual
a sorte
não sorriu.
No bolso o cachimbo
Na cabeça o desvio
veaco, esperto
não é preto velho
mas traz a pessoa amada
morta
torta
dentro de uma caixa
Importa
Exporta
balas
facadas
Tiros pelo corpo
na perna
no torso
e pelo encosto
ele clama
leva o demônio
como proteção
pra evitar a redenção
no inferno
Sendo passivo
Inferno esse que ele já vive
o inferno dos vivos.
foto: José Medeiros.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Shards.
No fuckin' lovers
In this town
of dead doves.
Rise up the cigarrete
don't claim so much effect
Wake the morning
shave your balls
Embrace the boring
fact that we'll all fall
You walt the streets
you talk to the sheetless
homeless
the shit of the shitty
society sheet
That covers up
the lovers
the doves
the fuckers
the dead
the living
All the same shit
we cover out in life,
our lives, sucks.
So knock up the feet
and lay back down
Wake up again
to feel the same pain
Look at the mirror
See how lame
you became.
Shave your beard
comb your hair
put your suit
your sweater up
Open the door.
breath in
breath out.
for no reason for.
Gain your way out
for work
a street full of blood
the invisible dead bodies
your work sucks
your life sucks.
We're all alone in our rooms
With the ghosts of
the field of the
dead cities in
shards
inside our fucking
hearts.
In this town
of dead doves.
Rise up the cigarrete
don't claim so much effect
Wake the morning
shave your balls
Embrace the boring
fact that we'll all fall
You walt the streets
you talk to the sheetless
homeless
the shit of the shitty
society sheet
That covers up
the lovers
the doves
the fuckers
the dead
the living
All the same shit
we cover out in life,
our lives, sucks.
So knock up the feet
and lay back down
Wake up again
to feel the same pain
Look at the mirror
See how lame
you became.
Shave your beard
comb your hair
put your suit
your sweater up
Open the door.
breath in
breath out.
for no reason for.
Gain your way out
for work
a street full of blood
the invisible dead bodies
your work sucks
your life sucks.
We're all alone in our rooms
With the ghosts of
the field of the
dead cities in
shards
inside our fucking
hearts.
sábado, 22 de novembro de 2014
Cimento, chupar, fino zelo.
Eu sou o escravo
e sou o mestre
eu sou o frasco
e sou a febre
sou cimento que concreta
meus sorrisos em tuas veias
garoa fina que decreta
meu zelo viajante em tuas teias
Eu nunca clamei ser santo
Urra, solta teu pranto!
Tira esse sapato
Esparrama as pernas, enquanto
Anseio por perder
Meus dedos, em teu fino cabelo
Oleoso, fino e majestoso.
E enquanto ficar
por favor
me deixe chupar
todo mal com fervor
Te chupar por fervor
Te sugar com amor
todo aquele que tenho
e que venho aqui lhe dizer
do fundo
do meu ser.
e sou o mestre
eu sou o frasco
e sou a febre
sou cimento que concreta
meus sorrisos em tuas veias
garoa fina que decreta
meu zelo viajante em tuas teias
Eu nunca clamei ser santo
Urra, solta teu pranto!
Tira esse sapato
Esparrama as pernas, enquanto
Anseio por perder
Meus dedos, em teu fino cabelo
Oleoso, fino e majestoso.
E enquanto ficar
por favor
me deixe chupar
todo mal com fervor
Te chupar por fervor
Te sugar com amor
todo aquele que tenho
e que venho aqui lhe dizer
do fundo
do meu ser.
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Venice, Bitch.
No hotel onde eu trabalhava, que era uma Veneza ridícula,
inundada de gente inútil, onde eu simplesmente não gostava de estar perto. Só
as mulheres as vezes prestavam, aquelas coroas sedentas de paus e eu tinha um
que funcionava, funcionava muito bem por sinal.
O dono era uma comédia, um velho morfético, mesquinho, gritalhão e burro pra caralho. A mulher dele, uma coroa enxuta e siliconada, que tratava quaisquer um como rei e quando precisava, jogava-os no inferno, a vadia controlava o financeiro e o hotel inteiro, pois tinha o controle do velho. E assim, como marionetes, ela humilhava ali, elogiava aqui, xingava acolá, fazia toda essa porra impune, por trás de uma face angelical e lindos olhos verdes. Aquela puta tinha olhos bonitos, profundos como toda a mentira que aquele hotel escorria entre as infiltrações das paredes. Ah, comi aquela puta também.
Em mais uma tarde ordinária de trabalho, eu era o cartão de visitas do hotel, fumando um cigarro na frente do próprio, com um copo descartável de café e um desejo de suicídio, por quão patético eu deveria estar, com toda aquela roupa social preta e branca, e aquela gravata. Um panda do proletariado, uma espécie em extinção, que ainda luta pra sobreviver contra essa sociedade de merda. Mas ali eu estava, fazendo parte daquele organismo vivo, morrendo e apodrecendo junto com ele.
Mas espera aí, eu podia fazer algo! Eu era uma célula quase importante daquela porra. Eu conhecia cada veia, o estomago e o rim do hotel, e o coração principalmente.
Um dia, no turno da noite, me esgueirei entre os corredores, desliguei o gerador e ninguém estranhou, afinal as quedas de energia eram normais naquela espelunca. Subi no padrão geral, e saí cortando todos os fios com uma faca, não fazia ideia do que estava fazendo, mas eu estava, nada dava certo. Peguei meu isqueiro e comecei a simplesmente queimar tudo que se podia queimar ali. Saí correndo e passei na recepção pra avisar meu parceiro de turno, que aquela porra ia se desfazer. Enquanto ele corria pelos corredores escuros, eu voltei pro gerador e liguei a fase de novo. Ouviram-se vários estouros e viram-se muitos clarões, eu acendi meu cigarro, enquanto sentava no ponto de ônibus do outro lado da rua. Demorei 20 minutos vendo o velho e a puta velha agonizando e me gritando do outro lado da rua para chamar os bombeiros. Eu apenas mostrava o dedo médio enquanto ele era comido pelas chamas. Agora a Veneza era inundada apenas de línguas laranjadas, flamejantes e de fumaça.
Welcome to Venice, Bitch.
Acordei com o despertador berrando, estava atrasado de novo pra porra do trabalho.
2 horas se passam.
-Venice Hotel, Michael, Boa tarde, em que posso ajudar? - E suspirei.
O dono era uma comédia, um velho morfético, mesquinho, gritalhão e burro pra caralho. A mulher dele, uma coroa enxuta e siliconada, que tratava quaisquer um como rei e quando precisava, jogava-os no inferno, a vadia controlava o financeiro e o hotel inteiro, pois tinha o controle do velho. E assim, como marionetes, ela humilhava ali, elogiava aqui, xingava acolá, fazia toda essa porra impune, por trás de uma face angelical e lindos olhos verdes. Aquela puta tinha olhos bonitos, profundos como toda a mentira que aquele hotel escorria entre as infiltrações das paredes. Ah, comi aquela puta também.
Em mais uma tarde ordinária de trabalho, eu era o cartão de visitas do hotel, fumando um cigarro na frente do próprio, com um copo descartável de café e um desejo de suicídio, por quão patético eu deveria estar, com toda aquela roupa social preta e branca, e aquela gravata. Um panda do proletariado, uma espécie em extinção, que ainda luta pra sobreviver contra essa sociedade de merda. Mas ali eu estava, fazendo parte daquele organismo vivo, morrendo e apodrecendo junto com ele.
Mas espera aí, eu podia fazer algo! Eu era uma célula quase importante daquela porra. Eu conhecia cada veia, o estomago e o rim do hotel, e o coração principalmente.
Um dia, no turno da noite, me esgueirei entre os corredores, desliguei o gerador e ninguém estranhou, afinal as quedas de energia eram normais naquela espelunca. Subi no padrão geral, e saí cortando todos os fios com uma faca, não fazia ideia do que estava fazendo, mas eu estava, nada dava certo. Peguei meu isqueiro e comecei a simplesmente queimar tudo que se podia queimar ali. Saí correndo e passei na recepção pra avisar meu parceiro de turno, que aquela porra ia se desfazer. Enquanto ele corria pelos corredores escuros, eu voltei pro gerador e liguei a fase de novo. Ouviram-se vários estouros e viram-se muitos clarões, eu acendi meu cigarro, enquanto sentava no ponto de ônibus do outro lado da rua. Demorei 20 minutos vendo o velho e a puta velha agonizando e me gritando do outro lado da rua para chamar os bombeiros. Eu apenas mostrava o dedo médio enquanto ele era comido pelas chamas. Agora a Veneza era inundada apenas de línguas laranjadas, flamejantes e de fumaça.
Welcome to Venice, Bitch.
Acordei com o despertador berrando, estava atrasado de novo pra porra do trabalho.
2 horas se passam.
-Venice Hotel, Michael, Boa tarde, em que posso ajudar? - E suspirei.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Val.
Hoje senti saudade de toda mulher
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.
Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.
E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.
que não terei mais
que nunca tive
e que não tenho.
Hoje a saudade estraçalhou meus neurônios
de uma, da outra, de umas outras
cada uma
com
um cheiro
um sorriso
um poema
um clichê.
Mas especialmente você, Val.
Em pouquíssimo tempo, mergulhamos
em um oceano, lutamos no inferno
nos vigiamos em escuridão
cometemos rituais ocultistas involuntários
mas o melhor de tudo isso, era que eu tinha você
tinha você perto.
E como um borrão, a blank of an eye, um olho verde:
you're gone, se foi, sumiu, se escafedeu, em meio ao matagal dos seus olhos, verdes
.
Parece que o universo conspirou
A vida deu o veredito.
Você nunca ia ser minha.
Mesmo eu, sendo
totalmente seu.
E se um dia, Val
Um único dia
Tu ler isso
Eu quero que saiba que, não importa
Aonde você estiver
Muito menos como
Ou com quem, eu vou querer que você vá pro inferno. Eu te odeio.
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