segunda-feira, 24 de junho de 2013

Precoce.

A suavemente fria brisa da manhã, o cigarro barato, que de tão ruim me faz querer parar de fumar, a baixa pressão, a sensação da morte iminente, a mãe negligente de uma amiga que não sabe quem eu sou de verdade, e que continuo mantendo minha farsa entre os dedos, entre os neurônios e entre a veia aorta e alguma coisa do miorcadio, possivelmente o infarto. Tudo isso em uma curta e sinuosa caminhada até o medíocre colégio onde irei me iniciar pedagogicamente, com o triste português.
Toda essa caminhada me fez lembrar de minha insana e seletiva amnésia com relação à noite passada, da qual só consigo me lembrar de três coisas: A primeira linda menina dos olhos verdes esbugalhados, com cor de anjo e sobrancelhas arqueadas, com quem tive o prazer de conhecer aquela bocetinha carnuda e bem rosinha, suave como a seda árabe, que como uma traça devorei como se não houvesse amanhã; as nove cervejas vagabundas (certamente bebi muito mais, mas não recordo o quê); e os loiros cabelos da segunda pérola, os quais agarrei com fervor, e finalizei o árduo labor que havia iniciado com a linda e enigmática anja primeira. A primeira se extasiou umas três ou quatro vezes mutiplamente, e eu nenhuma (egoísta!), depois se vestiu e foi embora. A segunda gozou duas vezes separadamente, e me chupou tão deliciosamente, que enquanto ela o fazia recordei-me da cruelmente doce lolita de Nabokov lambendo seu picolé, e (me julguem), foi nessa hora, e só nessa hora, gozei de todo prazer momentâneo e tristemente limitado que aquela noite tinha a me oferecer.
E então, na manhã seguinte, entrei na sala de aula, escrevi meu nome no quadro negro (até hoje não entendo o porquê aquela merda é verde, e não negra), coloquei meu material em cima da mesa destinada à mim, e dei uma breve olhada para a sala do terceiro ano do ensino médio, onde duas meninas me olhavam com aquele sorrisinho acanhado, depravado e demasiadamente sujo. Uma tinha os olhos verdes esbugalhados, as sobrancelhas arqueadas e era branca como um anjo, a outra tinha os cabelos loiros e aquela inconfundível cor de pérola. Maldita juventude precoce.


                                                                                                           
Michael Chowski.

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